26 de dez. de 2010

Negação do ser




Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.


(Fernando Pessoa)


12 de dez. de 2010

Afetividade na vida contemporânea



A humanidade sofre ataques muito violentos da sociedade, devido à forma de viver contemporâneo que não favorece o vínculo. Quando paramos para analisar a sociedade atual podemos perceber que não há disposição das pessoas de se doarem umas as outras, vivemos num mundo individualizado. Está cada vez mais evidente a fragilidade afetiva das famílias, os relacionamentos estão cada vez mais transitórios, rápidos e fugazes.
Diante de tantas novidades e possibilidades o amor está cada vez mais difícil de sobreviver, ele exige tempo, fidelidade e paciência. O amor é um sentimento que a gente nutri com calma.


Karl Marx tem uma frase muito interessante que diz: “Tudo o que é sólido desmancha no ar”.
Todas as estruturas que até então eram sólidas, fixas, que davam segurança a sociedade se desmancharam. A antropologia muda, o ser humano fica outro com esse tempo que tudo se desmancha.
Apesar das pessoas evoluírem, de tudo ficar cada vez mais avançado tecnologicamente falando as necessidades humanas são as mesmas.
Por mais moderno que uma pessoa seja ainda necessitará de cuidados afetivos rudimentares. O conflito é de como conciliar dentro de nós a postura moderna que precisamos ter, de estar no mundo, de lidar com tantas possibilidades e ao mesmo tempo cuidar desse coração tão rudimentar, tão cheio de necessidades básicas.
Em tempos anteriores, as pessoas pensavam duas ou três vezes antes de se separar, antes de terminarem um casamento, mas hoje já não é mais assim. Isso acontece porque alimentamos o discurso de que precisamos ter pressa para resolver as coisas, que a nossa felicidade é urgente. Acredito nisso, porém a urgência de felicidade não pode nos retirar o bom senso de analisar nossas escolhas com cuidado.
Nós fomos educados para a modernidade, a competição perpassa a pedagogia. Os valores, a solidariedade, a colaboração e os vínculos foram deixados de ser ensinados.
Se a modernidade nos modificou demais, se estamos o tempo todo ávidos pelas possibilidades e mais incapazes de aprender e ensinar os valores dentro de casa, a gente corre risco de criar uma geração cada vez mais precária, que não sabe amar, respeitar, colaborar, que não sabe conviver com as diferenças.

27 de nov. de 2010

Vivendo os contrários




A experiência humana se dá o tempo todo a partir de contradição. O grande desafio de toda pessoa é diminuir essas contradições ou pelo menos reconhecê-las. Muitas vezes as pessoas agem e depois olham para a sua ação e acham que não tem nada a ver com o que fez. Descobre uma inadequação entre aquilo que é com aquilo que fez. Apesar de não podermos retirar as contradições do nosso contexto, pois somos limitados, nós podemos conviver com elas, minimizando o poder que ela tem sobre nós. Basta ficarmos mais atentos a nós mesmos.
A vida precisa ser uma constante reflexão. Precisamos refletir quem a gente é, o que estamos fazendo e quais ambientes nós estamos freqüentando. Refletir a vida é um meio de diminuir as contradições. Ficamos mais felizes na medida em que estamos mais reconciliados com a vida.
Cada vez que conseguimos reduzir o contrário do que somos ou gostamos ficamos mais confortáveis, mais encaixados na vida. Ficamos mais satisfeitos, com o que somos, acreditando no que a gente acredita, trabalhando no que queríamos trabalhar. Se levássemos isso a sério o local de trabalho seria melhor. Muitas vezes passamos o dia todo com o coração pesado porque estamos vivendo uma incoerência. Quando resolvemos fazer as pazes com o ambiente que nos estar desagradando, é como se retirasse um peso que estava sobre nós.
O perdão é uma forma de minimizar a incoerência, é terapêutico. Muitas vezes não nos damos conta de que estamos sendo um empecilho para a felicidade do outro. Quando começamos a depositar no outro todas as nossas mágoas e infelicidades.
A existência humana é o território onde todas as contradições estão presentes e o autoconhecimento é muito importante para viver melhor.


Nós mudamos




É uma ilusão acreditar que as pessoas permanecem como eram antes. É necessário saber se adaptar as novas formas de viver das pessoas.

Quando queremos que sejam da mesma forma que eram antes é um egoísmo. É injusto querermos que o outro seja do mesmo jeito sempre, pois vivemos em constante mudança e perdemos a oportunidade de ter o outro como é hoje.

É natural que as pessoas nos vejam depois de algum tempo modificados.
Tudo o que a pessoa viveu sem a nossa presença fez com que ela seja o que é hoje. E precisamos conhecer o contexto da pessoa para que possamos compreendê-la. Não podemos julgar o ser humano, pois ele é construído pelo passado.
Nós entregamos aos amigos a chave que nos abre. A amizade faz com que conheçamos os outros a partir do que ele vai nos mostrando a cada dia. Começamos a perceber como ele reage quando está inseguro, com medo, fragilizado.
Se quiser entender uma pessoa, se quiser compreender porque ela age de tal forma entre no contexto dela.

19 de nov. de 2010

Saudades




É incrível como conhecemos várias pessoas ao longo da vida, muitas permanecem por um tempo maior e outras por um tempo menor, algumas somem por conseqüências da própria vida, cada um vai seguindo o seu rumo.
Existem pessoas que saem das nossas vidas e nem sabemos direito o porquê, simplesmente perdemos o contato, já outras nem fazem tanta falta assim, mas parecem estar constantemente nos perseguindo.
Gostaria de ressaltar as pessoas que vem para fazer alguma diferença e que só querem o nosso bem assim como elas, nós também sentimos o mesmo, são as pessoas que mais devíamos dar importância, a elas atribuo o título de anjos. Lindos e doces anjos que conseguem fazer toda a diferença. Mesmo que um anjo se vá, mesmo que percamos o contato com ele, sabemos que esse anjo se tornará inesquecível por todas as coisas boas que nos trouxe.
Assim como as ondas que chegam à beira da praia e voltam ao mar, as pessoas chegam à nossas vidas e voltam para chegar a outras vidas.

3 de abr. de 2010

Decisão e Oportunidades



Como é difícil se ver frente a uma escolha que pode mudar completamente nossa vida.
Hoje estava pensando, a vida é cheia de escolhas e muitas delas nem se quer percebemos o quão pode afetar nosso destino e estilo de vida.
Essas escolhas nos rodeiam a todo o momento, quer seja na família, no relacionamento, nas amizades, trabalho, etc. Se resolvo não ir à padaria, se faço compras no shopping, se escolho uma determinada profissão, tudo tem uma força de alteração no modo em que a vida está seguindo.
Por muitas vezes sabermos que as escolhas podem nos afetar muito, ficamos em conflito, frustrado, com medo do futuro e de tomar decisões.
Contudo, temos o poder de fazer nossas escolhas, refazê-las e começar tudo novamente. O que nos dá medo é a questão do tempo, pois a vida é algo que não temos para sempre. Por isso que quando surge uma oportunidade e percebemos que aquela oportunidade pode nos trazer mais alegria do que tristezas é que devemos seguir, aceitar, escolher. E mesmo que essa escolha depois não dê certo, não fizemos a escolha errada, pois naquele momento nossa mente nos possibilitou perceber apenas algumas conseqüências e nada é certo.