12 de dez. de 2010

Afetividade na vida contemporânea



A humanidade sofre ataques muito violentos da sociedade, devido à forma de viver contemporâneo que não favorece o vínculo. Quando paramos para analisar a sociedade atual podemos perceber que não há disposição das pessoas de se doarem umas as outras, vivemos num mundo individualizado. Está cada vez mais evidente a fragilidade afetiva das famílias, os relacionamentos estão cada vez mais transitórios, rápidos e fugazes.
Diante de tantas novidades e possibilidades o amor está cada vez mais difícil de sobreviver, ele exige tempo, fidelidade e paciência. O amor é um sentimento que a gente nutri com calma.


Karl Marx tem uma frase muito interessante que diz: “Tudo o que é sólido desmancha no ar”.
Todas as estruturas que até então eram sólidas, fixas, que davam segurança a sociedade se desmancharam. A antropologia muda, o ser humano fica outro com esse tempo que tudo se desmancha.
Apesar das pessoas evoluírem, de tudo ficar cada vez mais avançado tecnologicamente falando as necessidades humanas são as mesmas.
Por mais moderno que uma pessoa seja ainda necessitará de cuidados afetivos rudimentares. O conflito é de como conciliar dentro de nós a postura moderna que precisamos ter, de estar no mundo, de lidar com tantas possibilidades e ao mesmo tempo cuidar desse coração tão rudimentar, tão cheio de necessidades básicas.
Em tempos anteriores, as pessoas pensavam duas ou três vezes antes de se separar, antes de terminarem um casamento, mas hoje já não é mais assim. Isso acontece porque alimentamos o discurso de que precisamos ter pressa para resolver as coisas, que a nossa felicidade é urgente. Acredito nisso, porém a urgência de felicidade não pode nos retirar o bom senso de analisar nossas escolhas com cuidado.
Nós fomos educados para a modernidade, a competição perpassa a pedagogia. Os valores, a solidariedade, a colaboração e os vínculos foram deixados de ser ensinados.
Se a modernidade nos modificou demais, se estamos o tempo todo ávidos pelas possibilidades e mais incapazes de aprender e ensinar os valores dentro de casa, a gente corre risco de criar uma geração cada vez mais precária, que não sabe amar, respeitar, colaborar, que não sabe conviver com as diferenças.

2 comentários:

Hig@oººº disse...

Bela reflexão. Existem valores que deveriam ser natos a todos nós, mais que com o tempo evaporam-se de nossas atitudes.
"Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço." (Kant)

Héber Sales disse...

Você já ouviu falar do conceito de "modernidade líquida", de Bauman? Tudo a ver. Há um livro fantástico do Giddens que fala sobre afetividade e modernidade: "A transformação da intimidade". É massa.